O setor sucroalcooleiro brasílico encerrou 2025 com mudanças relevantes no mix produtivo, ajustes de mercado e perspectivas mais favoráveis para 2026. De convénio com estudo da equipe de Lucidez de Mercado da StoneX, o ano foi marcado por oscilações nos preços, alterações na dinâmica de consumo e fortalecimento do etanol de milho, que passou a ocupar parcela cada vez mais relevante da oferta pátrio. As avaliações completas sobre o desempenho recente e as projeções para o próximo ciclo estarão disponíveis no Relatório de Perspectivas para Commodities da StoneX, com divulgação prevista para 27 de janeiro e aproximação gratuito.
Ao longo de 2025, os preços do etanol seguiram o comportamento sazonal típico do setor. Durante o pico da safra, entre junho e julho, as cotações no mercado paulista atingiram mínimas próximas a R$ 3,10 por litro, o que refletiu uma paridade de tapume de 65% em relação à gasolina. Na sequência, entretanto, os preços passaram por recuperação gradual, encerrando dezembro em torno de R$ 3,53 por litro, subida de 11,6% na verificação com o final de 2024. Embora o consumo de etanol hidratado tenha apresentado retração, o volume de vendas permaneceu saliente, ainda que inferior do recorde registrado no ano anterior.

Aliás, as vendas totais do biocombustível, somando etanol anidro e hidratado, mantiveram-se estáveis. Esse desempenho foi sustentado, sobretudo, pela elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30% em agosto. Dessa forma, mesmo com menor demanda pelo hidratado, o mercado encontrou suporte na política de mistura, o que ajudou a lastrar o consumo ao longo do ano.
No mercado de gasolina C, fator determinante para a competitividade do etanol, os preços permaneceram relativamente estáveis em São Paulo durante 2025, variando entre R$ 6,18 e R$ 6,05 por litro. Dois cortes promovidos pela Petrobras, em junho e outubro, foram parcialmente neutralizados por reajustes sucessivos do ICMS, aplicados em fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Somam-se a esse contexto a valorização do real e a queda nas cotações internacionais do petróleo, que também influenciaram a formação de preços no período.
Etanol de milho
O etanol de milho consolidou sua presença em 2025, ainda que o volume produzido tenha ficado inferior das estimativas mais otimistas feitas no início do ano. O destaque foi o Maranhão, onde a usina da INPASA, em Balsas, operou próxima de uma produção anual de 1 bilhão de litros. As margens operacionais permaneceram favoráveis, mormente em Mato Grosso, com níveis próximos a 40%, resultado da combinação entre queda nos preços do milho e valorização do etanol no mercado interno.
Aliás, novos projetos indicam ininterrupção da expansão do segmento. Segundo mapeamento da StoneX, mais de 40 usinas de cereais estão em diferentes fases de desenvolvimento no país, sendo 12 localizadas nas regiões Setentrião e Nordeste. Caso esses empreendimentos avancem conforme o previsto, o número totalidade de usinas de etanol de milho pode ultrapassar 70 unidades até o final da dezena.
Outro ponto relevante de 2025 foi a diferença no mix produtivo das usinas do Núcleo-Sul. Apesar do recorde apanhado na produção de açúcar, a queda nos preços internacionais do adoçante e a melhora na remuneração do etanol já sinalizam uma reorientação gradual da produção. A expectativa é que essa reversão se intensifique ao longo de 2026, mormente até abril ou maio, com redução mais expressiva da parcela destinada ao açúcar.
Para 2026, as projeções indicam um cenário de expansão da oferta. A produção totalidade de etanol pode atingir 36,1 bilhões de litros, propagação estimado de 9,3% em relação à safra anterior. Esse progresso deve ser sustentado tanto pelo aumento do mix alcooleiro nas usinas de cana quanto pela ampliação da capacidade do etanol de milho, além de condições climáticas mais favoráveis e investimentos na renovação dos canaviais.
Mesmo com a subida do ICMS da gasolina e o aumento da mistura obrigatória de etanol, a tendência apontada pela StoneX é de recuo nos preços médios do biocombustível. A paridade frente à gasolina deve se estabilizar próxima de 66% no mercado paulista, enquanto o etanol hidratado tende a manter participação em torno de 30% no consumo totalidade. Nesse contexto, 2026 se apresenta porquê um ano de oportunidades, mas também de desafios para as margens das usinas de cana-de-açúcar.