O progresso do transporte e da logística, impulsionado principalmente pelo incremento do e-commerce e pela diversificação de produtos, tem ampliado a demanda por eficiência operacional no setor. Nesse cenário, a gestão integrada de frotas vem ganhando relevância uma vez que instrumento estratégica para empresas que buscam maior controle das operações e redução de custos.
De concórdia com dados da Statista, o mercado global de transporte e logística deve ultrapassar US$ 14 trilhões até 2030. No Brasil, segundo a Confederação Vernáculo do Transporte (CNT), o setor representa tapume de 6,5% do Resultado Interno Bruto (PIB) e segue em expansão, mormente no transporte rodoviário, responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no país.

Para atender a esse incremento, a gestão de frotas tem assumido papel meão nas operações logísticas. Estudo da Business Research Insights aponta que o mercado global de gestão de frotas deve crescer de US$ 30 bilhões em 2024 para tapume de US$ 90 bilhões até 2035. No Brasil, projeções indicam que o setor pode mais que triplicar até 2032, impulsionado principalmente pelo progresso da digitalização.
Fragmentação ainda é duelo para empresas
Apesar da ampla oferta de tecnologias voltadas ao monitoramento e planejamento das operações, especialistas apontam que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar dados operacionais em resultados concretos.
Segundo Paulo Raymundi, CEO da Gestran e perito em gestão de frotas com mais de duas décadas de experiência no setor, um dos principais desafios está na fragmentação das ferramentas utilizadas.
“O motivo está na fragmentação. Plataformas isoladas, promessas de insignificante dispêndio e módulos que não se comunicam geram volumes crescentes de dados, mas não entregam uma visão integrada da operação. O resultado são decisões reativas, desperdícios, falhas de planejamento e perda de eficiência”, afirma.
Integração pode reduzir custos operacionais
Para o executivo, a adoção de plataformas integradas tem potencial para transformar a gestão das operações logísticas.
“Empresas que conseguem unir controle de manutenção, monitoramento de pneus, consumo de combustível, despesas e estoque em uma única plataforma podem registrar reduções de custos de até 20%, além de ganhos relevantes de produtividade e previsibilidade financeira”, destaca.
Raymundi ressalta que o diferencial está na conexão entre as informações geradas pelas diferentes áreas da operação.
“Dados são importantes, mas o que realmente gera valor é a integração. Não adianta, por exemplo, controlar combustível sem entender uma vez que a manutenção impacta no consumo dele e, consequentemente, em toda a operação. É a conexão entre essas informações que direciona decisões assertivas e resolve gargalos”, explica.
Plataformas passam a ter papel estratégico
Nos últimos anos, segundo o perito, o mercado presenciou uma proliferação de soluções que prometem atender todas as necessidades da gestão de frotas, mas que muitas vezes entregam exclusivamente partes do processo.
“Vimos muitos gestores se perderem em um mar de ferramentas que geram dados, mas não transformam informação em ação”, observa. Essa mudança de expectativa também tem redefinido o papel das plataformas tecnológicas no setor.
“O mercado não quer mais softwares que exclusivamente reportam indicadores. Ele procura ferramentas que convertam dados em decisões. A integração de todos os pontos da frota, combinada à perceptibilidade preventiva, prolonga a vida útil dos veículos e reduz custos diretos e indiretos”, afirma.
Digitalização deve açodar transformação do setor
Nesse contexto, empresas especializadas em tecnologia para gestão de frotas têm reforçado investimentos em soluções integradas capazes de oferecer visão completa da operação.
Segundo a Gestran, sua plataforma foi desenvolvida para reunir em um único envolvente informações sobre combustível, manutenção, despesas e demais indicadores da frota, permitindo decisões mais rápidas e baseadas em dados.
A empresa afirma ainda que sua arquitetura tecnológica permite a incorporação contínua de novos módulos, acompanhando a evolução das demandas do mercado logístico.
Para especialistas do setor, a digitalização acelerada da logística tende a ampliar a relevância de soluções integradas nos próximos anos. Empresas que mantêm sistemas fragmentados podem enfrentar perda de competitividade, enquanto aquelas que adotam plataformas integradas ganham maior controle operacional e eficiência.
“Quando a frota deixa de ser exclusivamente um meio de dispêndio e passa a ser tratada uma vez que um ativo estratégico, ela se transforma em um verdadeiro motor de resultados para o negócio”, conclui Raymundi.