Com a aproximação do Natal e o consequente progressão das entregas típicas de Término de Ano, a movimentação de cargas no Brasil experimenta um desenvolvimento vertiginoso. Mas, junto com o volume de vendas, cresce também o risco de roubos de trouxa, fraudes e sinistros. O aumento das transações comerciais se traduz em mais caminhões circulando nas estradas, o que resulta em maior exposição de toda a cárcere logística.
Os dados recentes sublinham esse cenário de risco ampliado. O Relatório de Estudo de Roubo de Cargas, levado pela nstech, indica que as ocorrências cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025, com atenção próprio voltada para mercadorias de cimo valor associado e de fácil revenda. Paralelamente, o Quadro Transportes, da Infra S.A., aponta para um desenvolvimento universal no volume movimentado em rodovias, ferrovias e aeroportos, o que amplia a vulnerabilidade do sistema de transporte.

Para João Paulo, CEO da Mundo Seguro e profissional em gestão de risco, a convergência desses fatores transforma o Término de Ano em uma operação de risco saliente. “Quando a pressão por entregar mais, mais rápido e por menos aumenta, a segurança tende a permanecer em segundo projecto. É justamente nessa brecha que o delito organizado avança. O problema não é só o roubo de trouxa em si, mas os atrasos, prejuízos operacionais e impactos na reputação da empresa”, afirmou.
Seguro de Fardo: Ajustes Críticos para o Período de Pico
Segundo o executivo, é geral que muitas empresas ainda tratem o seguro de trouxa somente uma vez que uma exigência burocrática necessária para liberar os embarques. Essa mentalidade, entretanto, frequentemente resulta em apólices mal estruturadas ou que contêm exclusões que só se manifestam no momento da ocorrência de um sinistro. “O erro mais geral é contratar um seguro padrão para um período que está longe de ser padrão. A reta final do ano exige ajustes específicos de cobertura, limites, gerenciamento de risco e regras de circulação. Sem isso, a empresa acredita que está protegida quando, na prática, não está”, explica.
Entre os principais pontos críticos que merecem atenção na contratação do seguro de trouxa, ele destaca:
- Limites insuficientes diante do aumento do valor embarcado: produtos de maior valor costumam ser concentrados no período, e sem uma revisão, o limite da apólice pode não ser suficiente para revestir a totalidade da trouxa.
- Exiguidade de cláusulas específicas para rotas de cimo risco: alguns corredores logísticos, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, impõem a premência de regras diferenciadas de cobertura.
- Exigências obrigatórias ignoradas: a cobertura de seguro pode requerer escolta, monitoramento ativo, dupla checagem de lacres e estudo de condutores uma vez que requisitos de indenização.
Em relação às operações mais visadas, no Término de Ano há um padrão de interesse por segmento das quadrilhas: elas se concentram em mercadorias de cimo valor associado, fácil revenda e que possuem giro subitâneo no mercado proibido. O foco costuma recair sobre produtos de maior valor por volume transportado. De pacto com João Paulo, eletrônicos, eletrodomésticos pequenos, medicamentos e cosméticos seguem entre os alvos mais frequentes. “São categorias que concentram muito valor em pouca trouxa. Isso aumenta o risco e exige que a operação esteja ainda mais alinhada e muito protegida”, explica.
Com o aumento do fluxo de mercadorias no Término de Ano, o profissional em seguros explica que o primeiro passo para reduzir os riscos é revisar com urgência as apólices de seguro de trouxa, compreendendo limites, exclusões e o que muda quando o volume de entregas dispara. “É nessa hora que muita empresa descobre que a cobertura não conversa com a operação”, afirmou.
Ele enfatiza que o planejamento de segurança deve ser integrado entre embarcador, transportadora e corretora. “Quando cada um trabalha com uma informação dissemelhante, o risco sobe. A cobertura ideal depende de alinhamento.”
A tecnologia, neste contexto, tornou-se uma peça meão. Sistemas de monitoramento comportamental conseguem identificar paradas irregulares, desvios mínimos de rota e até sinais de jamming (interferências que bloqueiam ou perturbam as comunicações sem fio). Em períodos de pico, ajustes temporários na cobertura de seguro de trouxa também se tornam comuns para seguir o ritmo da operação.
Para João Paulo, o papel da corretora ganha peso justamente por conectar o seguro e a gestão de risco operacional. “O objetivo é simples: evitar que a empresa perdida duas vezes, a trouxa e o verba. Segurança reduz o sinistro; o seguro reduz o impacto. Um só não funciona sem o outro”, concluiu.