Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG

Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG

A logística aquaviária brasileira passa por um ponto de inflexão estrutural, segundo diagnóstico da FLG, holding com atuação em gestão de real assets e investimentos estruturados em infraestrutura. O estudo aponta que a evolução da cabotagem no país está diretamente ligada à premência de expansão para além dos navios, com maior foco em retroáreas e na integração com a infraestrutura portuária e terrestre.

De conformidade com o levantamento, a saturação dos portos brasileiros vem alterando a lógica operacional do setor. Com terminais operando próximos do limite, empresas de navegação passaram a redirecionar capital para ativos fora da chuva, incluindo frota rodoviária própria, malha integrada e estruturas de esteio em áreas retroportuárias. O objetivo é reduzir gargalos e ampliar a fluidez das operações de escoamento.

Os dados reforçam ainda a assimetria histórica da matriz de transportes no país. Atualmente, 75% das cargas seguem pela malha rodoviária, que soma mais de 1,7 milhão de quilômetros. Já a cabotagem representa tapume de 4% do totalidade movimentado, distante de economias com maior integração multimodal, onde o modal chega a 30% ou 35%. Apesar disso, o setor projeta expansão de dois dígitos já em 2026, sustentada justamente pela maior integração logística.

A estudo da FLG também labareda atenção para projetos portuários porquê o STS 10, no Porto de Santos (SP), que, segundo o mercado, pode enfrentar limitações operacionais diante da demanda crescente. Nesse contexto, operadores porquê a Coligação Navegação (do grupo Maersk) têm intensificado o uso do pré-stacking de cargas em áreas externas aos terminais. A estratégia envolve a utilização de polos logísticos no Rio Grande do Sul (Rio Grande), Pernambuco (Suape) e São Paulo (Cajamar), reduzindo pressão sobre os gates portuários.

“A retroárea virou o novo ativo estratégico da cabotagem. O gargalo portuário transformou a infraestrutura terrestre e os galpões logísticos na principal alavanca para destravar o fluxo no Brasil. Hoje, o navio é somente o meio de transporte; o ativo que realmente gera valor e competitividade é a malha e a capacidade de integrar a cárcere ponta a ponta, entendendo o comportamento de toda a matriz vernáculo”, analisa Fernando Guimarães, Head de Investimentos e Real Estate da FLG Corp.

Segundo a companhia, a operação porta a porta já responde por tapume de 60% do volume movimentado, enquanto os 40% restantes ainda estão ligados às chamadas “cargas de subida”, oriundas do interno com rumo aos portos. “O armador que pensa só no navio está com problemas. Estamos aportando investimentos robustos fora dos navios para transformar dor em oportunidade”, afirma José Roberto Duque, Head Mercantil da Coligação Navegação.

Eixo Sul-Setentrião e a integração da cabotagem e retroáreas logísticas

No eixo Sul–Setentrião, a integração entre cabotagem e retroáreas logísticas ganha emprego prática com novas rotas expressas. Em junho, a Coligação Navegação lançou o serviço ALCT1, que conecta o Porto de Itapoá (SC) a Manaus (AM) com transit time de 13 dias e duas escalas semanais. O desempenho do terminal catarinense reforça essa dinâmica: em 2025, Itapoá movimentou tapume de 298 milénio TEUs em cabotagem, subida de 32% em relação ao ano anterior.

Nesse contexto, Garuva (SC) passa a desempenhar função relevante porquê esteio operacional. “Garuva funciona porquê uma extensão estratégica e necessária para o escoamento, funcionando porquê o pulmão que dá fôlego aos terminais e garante a ritmo logística exigida pelo mercado”, destaca Fernando Guimarães.

A viabilidade dessa integração também está relacionada à Zona Franca de Manaus (ZFM), cuja segurança jurídica foi reforçada pela Emenda Constitucional 132/2023, que garante os incentivos até 2073. A manutenção desse regime é considerada necessário para sustentar a demanda industrial e mercantil que alimenta a cabotagem, principalmente em rotas de maior eficiência e previsibilidade logística no país.

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