A negociação logística entre embarcadores e operadores não pode permanecer concentrada unicamente no valor da tarifa. Custos operacionais, obrigações regulatórias, segurança, capacidade de atendimento e cumprimento dos níveis de serviço também precisam ser considerados na contratação. Essa foi a avaliação de Fabrício Chaves, CEO da Subitâneo Nexway, durante o evento Logística do Horizonte 2026.
O executivo participou do quadro “Regulamentação do Transporte”, realizado em 10 de setembro, em São Paulo, ao lado de Pedro Moreira, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), e Maria Carolina Noronha, assessora governamental da Confederação Pátrio do Transporte (CNT). O debate abordou os efeitos das normas sobre a operação e a relação mercantil entre os diferentes elos da ergástulo logística.

“Não se pode simplificar tudo o que é feito diariamente a uma discussão mercantil orientada pela tarifa”, afirmou Fabrício. Segundo ele, uma contratação que desconsidere a dificuldade da operação pode comprometer a capacidade do prestador de serviços de atender às exigências legais e aos níveis de serviço acordados com o cliente.
Experiência dos dois lados da negociação logística
Fabrício recorreu à própria trajetória profissional para mostrar porquê a percepção sobre os serviços muda de concórdia com a posição ocupada na ergástulo de suprimentos. “Eu passei os últimos 20, 25 anos operando do lado do embarcador e agora tenho a oportunidade de liderar um operador, estando do outro lado”, disse.
Para o CEO da Subitâneo Nexway, quem atua porquê embarcador nem sempre tem a dimensão completa das variáveis administradas diariamente por um operador logístico. Além da movimentação e da entrega das cargas, a prestação do serviço envolve disponibilidade de veículos e equipes, controle de jornada, segurança, documentação, apuração de tributos e adaptação às mudanças regulatórias.
Nesse contexto, o executivo defendeu o alinhamento de conhecimentos entre contratantes e prestadores de serviços porquê secção do processo de negociação. A proposta é ampliar a compreensão sobre as atividades realizadas na operação e sobre os fatores que interferem na realização dos contratos, evitando que as tratativas comerciais se restrinjam à tarifa.
“O primeiro ponto, para mim, é fazer um alinhamento de conhecimento, usar a literatura e tudo o que vem acontecendo ao longo do tempo para compartilharmos com os nossos clientes, com os nossos embarcadores; mostrar o que efetivamente é esse dia a dia e o quanto multíplice ele é, para que a gente essencialmente saia de uma discussão de tarifa”, afirmou.
Regulamentação do transporte afeta a realização dos serviços
O impacto das regras sobre a realização dos serviços também foi evidenciado por Fabrício. Segundo ele, a implementação de uma novidade norma não deve ser tratada unicamente porquê uma questão jurídica ou de compliance, uma vez que suas consequências chegam às atividades operacionais e administrativas das empresas.
“Quando a gente tem a implementação de uma novidade norma, corre o risco de se enganar e encontrar que essa é uma tarifa unicamente jurídica ou uma tarifa de compliance. Na verdade, isso se converte numa consequência lá no recinto, no despacho do caminhão, na jornada de trabalho da equipe, na apuração dos impostos e assim sucessivamente.”
A avaliação reforça a urgência de incorporar as exigências regulatórias ao planejamento das operações e à formação dos contratos. Por fim, mudanças na legislação podem exigir ajustes em processos, equipes e procedimentos, com reflexos sobre os custos e a capacidade de atendimento.
Maria Carolina Noronha, assessora governamental da CNT, também destacou a responsabilidade compartilhada entre embarcadores e transportadores no cumprimento das regras. Para ela, a conformidade não pode ser atribuída exclusivamente a uma das partes, pois os efeitos de uma contratação inadequada podem atingir ambas.
“O que antigamente era obrigação só do embarcador ou só do transportador agora, na regra, está dentro do mesmo enfoque”, afirmou. “Se a contratação não trespassar correta, isso impacta tanto o embarcador quanto o transportador.”
Empresas precisam escoltar mudanças regulatórias
Pedro Moreira, presidente da Abralog, observou que a regulamentação do transporte está presente nas principais transformações em discussão no setor logístico. Entre elas estão a digitalização, a automação, a infraestrutura e a transição energética. Nesse cenário, o dirigente defendeu maior participação das empresas na construção das regras e mais pronunciação entre os diferentes elos da ergástulo.
A discussão sobre as normas, portanto, envolve tanto o seguimento das mudanças quanto a avaliação de seus efeitos sobre as atividades das empresas. Para os participantes do quadro, a relação entre contratantes e prestadores precisa considerar as exigências que influenciam a realização dos serviços, além das condições comerciais estabelecidas.
Fabrício afirmou ainda que os gestores precisam destinar tempo ao seguimento das normas e à avaliação antecipada de suas consequências. A previsibilidade, segundo ele, é necessária para que as empresas possam se preparar para as adaptações exigidas e tomar decisões com antecedência.
“Eu não vejo outro caminho que não seja esse — uma dedicação bastante intensa ao objecto. Previsibilidade. O setor precisa se antecipar às mudanças nas quais terá de se harmonizar para as decisões que deverá tomar.”
