O Porto Itapoá, localizado no litoral setentrião de Santa Catarina, inicia um novo ciclo de expansão logística com a inclusão do terminal em uma rota internacional da Maersk que conecta o estado aos principais hubs portuários do Setentrião da Europa. Paralelamente, o progressão da dragagem do ducto de chegada à Baía da Babitonga deverá permitir, ainda em 2026, a operação de navios de até 366 metros de comprimento e capacidade para 16 milénio contêineres, ampliando a competitividade do multíplice portuário.
O novo cenário também deve impulsionar a demanda por galpões logísticos e áreas de armazenagem no entorno do porto, segundo avaliação da Sort Investimentos, empresa especializada em gestão de ativos imobiliários voltados ao segmento logístico.

Novidade rota internacional e ampliação da capacidade reforçam o potencial logístico
A operação internacional faz secção do serviço NEOSAMBA, operado pela Maersk, que passa a conectar o Porto Itapoá a importantes portos europeus, uma vez que Southampton, Rotterdam, Hamburgo, Bremerhaven e Antuérpia. A rota também contempla escalas em Tânger, no Marrocos, além de Santos, Paranaguá, Buenos Aires e Montevidéu.
No mercado doméstico, o terminal ampliará sua atuação na cabotagem por meio de uma novidade relação com Manaus (AM), fortalecendo o transporte de cargas entre as regiões Sul e Setentrião do país.
Outro fator considerado estratégico é a evolução da dragagem do ducto de chegada à Baía da Babitonga, que já ultrapassou 70% de realização. A obra deverá possibilitar a atracação de embarcações de até 366 metros, aumentando significativamente a capacidade operacional do porto e permitindo a recepção de alguns dos maiores navios porta-contêineres em operação.
Os números da movimentação com a União Europeia reforçam a valimento desse mercado para o terminal. Em 2025, muro de 19% das importações realizadas pelo Porto Itapoá tiveram origem no conjunto europeu, totalizando aproximadamente 285 milénio TEUs. Já nas exportações, a participação foi de 12%, o equivalente sobre 180 milénio TEUs.
Entre os principais produtos movimentados estão cargas dos segmentos florestal, eletrodomésticos, eletrônicos, máquinas e aço.
Para Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos – que integra o Grupo Sort, conglomerado que reúne empresas dos setores imobiliário, tecnologia, indústria e varejo, entre elas Fast Sale, PipeImob Tecnologia e Sort Empreendimentos –, o fortalecimento da infraestrutura portuária tende a ampliar a procura por imóveis voltados à logística nas áreas próximas ao terminal. “Itapoá está em uma posição estratégica para exportação, importação, cabotagem e circulação de cargas entre o Sul e outros mercados do país. Com o aumento da capacidade operacional e o lucro de competitividade do porto, cresce também a urgência de galpões próximos, com chegada eficiente ao terminal e às principais rodovias. O investidor que se antecipa a esse movimento tende a tomar a valorização desses ativos nos próximos anos, porque a demanda por espaços logísticos muito localizados cresce antes mesmo de a infraestrutura operar em plena capacidade”, afirma.
Segundo o executivo, os impactos da expansão deverão entender municípios conectados ao eixo portuário e à BR-101, uma vez que Itapoá, Garuva, Araquari, Joinville e São Francisco do Sul, ampliando a demanda por estruturas de armazenagem, distribuição e pedestal às operações logísticas. “A expansão portuária não impacta unicamente o terminal. Ela movimenta toda a ergástulo de suporte no entorno, desde operadores logísticos e transportadoras até empresas que precisam de áreas para estocagem, transbordo, distribuição e pedestal às operações. Por isso, os galpões de tá padrão, próximos ao porto e com chegada eficiente às principais rodovias, tendem a ser cada vez mais disputados”, destaca.
