O setor de logística no Brasil projeta um novo ciclo de desenvolvimento e modernização, impulsionado pela retomada das fusões e aquisições (M&A). Com expansão média estimada em 4,8% ao ano nos próximos cinco anos, o mercado deve intensificar movimentos de consolidação, digitalização e proveito de graduação operacional. Segundo estudo da Redirection International — empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições para operações de middle market, com atuação no Brasil e no exterior —, o setor já é medido em murado de R$ 115 bilhões, com tendência de fortalecimento a partir de 2026.
Mesmo diante da pressão sobre os custos operacionais, provocada tanto por fatores internos quanto por conflitos internacionais, o segmento mantém perspectiva positiva. Em 2025, o volume transportado no país cresceu 7%, considerando somente o transporte rodoviário de cargas. Ou por outra, a expectativa é de aumento da demanda em 2026, puxada principalmente pelos setores de varejo, agronegócio e reposição industrial.
Consolidação e graduação impulsionam fusões e aquisições na logística
De contrato com o economista Gabriel Loest Cardoso, sócio da Redirection International, o envolvente já mostra sinais claros de retomada. “A consolidação do setor de frete e logística, a procura por automação e eficiência operacional e a expansão da infraestrutura logística impulsionam o mercado de fusões e aquisições no Brasil, posteriormente um período de desaceleração. Somente nos últimos dois anos foram realizadas murado de 40 transações de M&A por ano no país”, destaca.
Nesse contexto, observa-se a intensificação de investimentos estratégicos e financeiros, principalmente em mercados fragmentados. Operadores de maior porte têm buscado ampliar graduação, otimizar rotas e aumentar a densidade operacional. Ao mesmo tempo, há progresso na integração vertical e na ampliação de portfólio, com obtenção de empresas complementares para reunir valor às soluções oferecidas.
Outro movimento relevante é a regionalização das operações. Grupos logísticos vêm expandindo sua presença geográfica por meio de aquisições, com o objetivo de aumentar capacidade e reduzir distâncias em relação a clientes estratégicos. Entre exemplos recentes estão a obtenção da Buskar.me pela Tegma, em 2025, e a compra da SMX Logistics pela espanhola TIBA no mesmo período.
“Os consolidadores estão ativamente buscando aquisições que permitam expandir portfólio de serviços e enriquecer a proposta de valor, além de integrar operações em mercados fragmentados para produzir campeões regionais”, explica Cardoso. “Os segmentos com maior potencial incluem FTL/LTL, freight forwarding, logística contratual, comercialização e locação de frotas, além de operações de drayage, todos com possante espaço para consolidação”, complementa.
No campo da valorização, o cenário também apresenta mudanças. Depois um período de compressão, os múltiplos de mercado mostram recuperação gradual. O indicador EVA/EBITDA médio do setor deve passar de murado de 3,8x em 2024 para níveis próximos de 5,0x em 2026, indicando envolvente mais equilibrado e potencialmente favorável aos vendedores.
Segundo a Redirection International, esse movimento reflete a valorização das empresas listadas, além de fatores uma vez que liquidez, retorno sobre o capital investido (ROIC), desenvolvimento de receita e nível de alavancagem. “Estamos saindo de um cenário recente em que, em muitos casos, o valor econômico de operadores logísticos médios era subalterno ao valor da sua própria frota. Hoje, o mercado começa a reconhecer melhor a geração de caixa e o potencial estratégico desses ativos”, afirma Cardoso.
Diante desse novo ciclo, a preparação das empresas se torna decisiva. Planejamento estratégico, fortalecimento da governança corporativa, realização de valuation independente e organização para processos de diligência passam a ser etapas essenciais para conquistar valor em futuras transações.
