Transporte fluvial na Amazônia exige planejamento logístico antecipado durante período de seca

Transporte fluvial na Amazônia exige planejamento logístico antecipado durante período de seca

Com o início do período de seca na Amazônia, empresas que dependem do transporte fluvial para provimento, distribuição e escoamento de cargas precisam antecipar decisões operacionais para reduzir riscos de atrasos e aumento de custos. Dados do 25º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), apontam estabilização dos níveis dos rios e redução no ritmo das enchentes, indicando a aproximação do período de vazante.

Embora a redução dos níveis dos rios seja um fenômeno sazonal na região, os eventos extremos registrados nos últimos anos aumentaram a premência de comitiva manente das condições de navegação. O principal impacto durante a seca está relacionado à subtracção da profundidade dos rios, o que pode limitar a operação de embarcações com maior mudo em determinados trechos.

“Na Amazônia, a seca não é um evento inesperado, faz segmento do calendário operacional e precisa estar incorporada ao planejamento logístico das empresas com antecedência. O embarcador que acompanha a criticidade, o cenário hidrográfico, a navegação e as cotas dos rios, organiza janelas de expedição e escolhe soluções adequadas ao período reduz muito o risco de delongado, desabastecimento e aumento de custos”, afirma Dagoberto Madono, diretor de Novos Negócios da Combitrans, operadora logística que atua no transporte fluvial e rodoviário.

Silencioso das embarcações influencia operações durante a estiagem

No transporte fluvial, o mudo representa a profundidade necessária para que uma embarcação navegue com segurança. Assim, quanto maior o mudo, maior a obediência de níveis elevados dos rios. Durante a seca, esse fator se torna determinante para a perenidade das operações, mormente em trechos mais sensíveis ou sujeitos à formação de bancos de areia.

Aliás, o nível dos rios também interfere nas operações portuárias e de atracação. Durante períodos de baixa, portos e terminais fluviais podem enfrentar restrições para receber embarcações de maior porte, exigindo ajustes operacionais, utilização de estruturas alternativas ou redistribuição de cargas em pontos intermediários.

Consequentemente, essas limitações podem ampliar o tempo de operação, exigir maior coordenação entre os participantes da ergástulo logística e levantar os custos relacionados à movimentação de mercadorias.

“Quando o nível dos rios começa a desabar, o duelo deixa de ser exclusivamente operacional e passa a exigir uma visão estratégica mais ampla, com comitiva manente das condições de navegação, revisão de rotas e adaptação das operações para manter a regularidade do transporte mesmo em cenários adversos”, explica o executivo.

Planejamento logístico deve considerar cenários antes do pico da estiagem

Apesar de o período mais crítico da seca variar conforme a bacia hidrográfica e as condições climáticas de cada ano, a recomendação para os embarcadores é iniciar o planejamento antes da redução mais acentuada dos níveis dos rios. O comitiva de boletins hidrológicos, o contato permanente com operadores e a revisão da programação de embarques são medidas que ajudam a evitar decisões emergenciais.

Aliás, o planejamento deve incluir cenários alternativos e planos de contingência para possíveis restrições durante a estiagem. Entre as alternativas estão a definição de rotas secundárias, contratação antecipada de capacidade suplementar e integração com outros modais, porquê o rodoviário, para ampliar a flexibilidade operacional.

“Seca não significa necessariamente paralisação, mas exige preparo. Empresas que estruturam esse tipo de estratégia conseguem reagir com mais facilidade às mudanças nas condições dos rios, reduzindo impactos sobre prazos e custos e mantendo a perenidade do provimento mesmo em situações adversas”, explica Madono.

Entre as medidas recomendadas para reduzir impactos no período estão o monitoramento frequente dos níveis dos rios nas rotas utilizadas, a antecipação de embarques de cargas críticas ou de elevado giro, a revisão de estoques de segurança em centros de distribuição e unidades consumidoras, além da avaliação da capacidade operacional dos parceiros logísticos.

Também fazem segmento da preparação a integração entre transporte fluvial e rodoviário, o uso de soluções de armazenagem e cross docking, a revisão de embalagens e paletização para cargas sensíveis e a notícia manente com operadores sobre prazos, riscos e alternativas.

“O maior erro é esperar o problema nascer para redesenhar a operação. Em períodos de seca, cada dia de antecedência pode fazer diferença. Muitas vezes, a solução está em antecipar segmento do volume, ajustar a frequência de embarques ou combinar modais para preservar a regularidade da ergástulo”, comenta o executivo.

Impactos da seca ultrapassam a movimentação de cargas

As hidrovias possuem papel estratégico na Região Setentrião, não exclusivamente porquê corredores logísticos, mas também porquê principais meios de conexão para diversas comunidades. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, em muitos municípios amazônicos os rios são a única opção de chegada para transporte de pessoas, vitualhas, medicamentos e insumos básicos, além de sustentarem atividades econômicas locais.

Para o setor produtivo, a obediência dos rios amplia os desafios, já que a região utiliza o transporte fluvial para movimentar insumos, bens de consumo, vitualhas, medicamentos, combustíveis e produtos industriais. Dessa forma, alterações relevantes na navegabilidade podem afetar diferentes etapas da ergástulo, desde fabricantes e distribuidores até o consumidor final.

Essa veras reforça a relevância da manutenção da navegabilidade e da infraestrutura hidroviária, pois mudanças nos níveis dos rios impactam diretamente o provimento, a mobilidade e a rotina das populações locais.

“A discussão sobre seca é logística, econômica e social. Os rios são corredores de provimento. Quando a navegação é afetada, o impacto chega à indústria, ao varejo, às comunidades e ao consumidor. Por isso, planejamento e infraestrutura são fundamentais para reduzir vulnerabilidades e riscos de desabastecimento”, conclui Madono.

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