Mulheres lideram novas contratações no transporte de cargas e ampliam presença no setor

Mulheres lideram novas contratações no transporte de cargas e ampliam presença no setor

A presença de mulheres no transporte rodoviário de cargas vem crescendo no Brasil e começa a mudar o perfil de um dos segmentos mais relevantes da logística pátrio. Dados da Sucursal Vernáculo de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que a participação feminina entre motoristas já supera 7% no país, refletindo um movimento gradual de ampliação da heterogeneidade no setor.

O progresso também aparece nos resultados do Índice de Isenção no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) 2026, elaborado pelo IPTC para o movimento Vez & Voz. O levantamento atingiu 46 pontos em uma graduação de 0 a 100, indicando evolução consistente das práticas de inclusão e heterogeneidade nas empresas do segmento.

Segundo Camila Florencio, gerente de Informação do SETCESP e coordenadora do movimento Vez & Voz, iniciativa promovida pelo SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Trouxa de São Paulo e Região), o setor vive um momento de transformação importante.

“Vivemos um ponto de inflexão importante, com mulheres conquistando espaços antes pouco acessados e assumindo maior protagonismo nas organizações. Os dados comprovam esse progresso e mostram que a justiça de gênero já integra a agenda do setor”, afirma.

Camila Florencio: “Organizações que investem em justiça têm 21% mais chances de aumentar o lucro e registram 58% mais engajamento. Não se trata unicamente de oração, mas de uma estratégia de negócio”

Os dados do estudo apontam que aproximadamente 60% das empresas ampliaram as contratações de mulheres para cargos de liderança no último ano. Aliás, 88% das companhias registraram promoções ou aumentos salariais destinados a profissionais do gênero feminino.

Ao mesmo tempo, cresce o número de transportadoras que estruturam políticas formais de recrutamento voltadas à heterogeneidade e inclusão. Esse movimento também vem sendo escoltado por ações internas relacionadas à capacitação profissional, prevenção ao assédio e conscientização sobre justiça de gênero.

De conciliação com Camila, a heterogeneidade passou a ser vista também porquê um fator estratégico dentro das empresas do setor logístico.

“Organizações que investem em justiça têm 21% mais chances de aumentar o lucro e registram 58% mais engajamento. Não se trata unicamente de oração, mas de uma estratégia de negócio”, destaca.

O estudo reuniu respostas de 83 empresas do setor, abrangendo mais de 35 milénio trabalhadores. Apesar dos avanços registrados pelo índice, o levantamento também aponta desafios estruturais ainda presentes no TRC.

Entre os principais pontos de atenção estão a baixa presença feminina em funções operacionais e em cargos executivos, além de lacunas em políticas relacionadas à parentalidade, combate à violência doméstica e programas de reintegração profissional em seguida a licença-maternidade.

Ainda assim, a expectativa do movimento é de perpetuidade no propagação da participação feminina nas operações logísticas e administrativas do setor.

“À medida que as empresas ampliam sua base de talentos e incorporam práticas mais inclusivas, o setor tende a se tornar mais diverso, competitivo e sustentável”, conclui a coordenadora.

Criado em 2020 pelo SETCESP, o movimento Vez & Voz atua para ampliar a participação feminina no Transporte Rodoviário de Cargas, promovendo ações voltadas à liderança, networking, combate ao assédio e desenvolvimento profissional. A iniciativa também mantém o Índice de Isenção no TRC, utilizado porquê referência para seguimento da evolução das práticas de heterogeneidade no setor.

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