A partir de agosto, haverá um aumento do biodiesel no diesel. “O aumento para B15 exigirá revisão obrigatória dos contratos de fornecimento de combustível pelas transportadoras, incluindo cláusulas sobre qualidade e garantias de performance. Embora haja estimativa de aumento de preço por litro, a redução na obediência de diesel importado pode ressarcir esse dispêndio, mas na prática, ainda não sabemos se será um pouco visível. O grande repto está no monitoramento de preços, já que o diesel sofre influência de câmbio, petróleo internacional e impostos, podendo mascarar os impactos econômicos do B15.”
A avaliação é de Jéssica Couto, diretora de Marketing e PCS do Grupo Trino, ao participar da material “Aumento do Biodiesel no Diesel: porquê a novidade mistura impacta o transporte e a conta do caminhoneiro”, a ser publicada na revista Logweb de Julho/Agosto – Número 246.

Jéssica avalia que também será fundamental recalcular o consumo médio, devido ao menor poder calorífico do biodiesel. “As mudanças operacionais incluem inspeções mais frequente do sistema de injeção e monitoramento estável da qualidade do combustível armazenado, já que o biodiesel tem menor segurança. Os estudos governamentais apresentam poucos testes em temperaturas extremas, concentração em veículos novos e falta de dados sobre operações 24/7 com cargas pesadas. O Brasil está sendo pioneiro – enquanto países da OTAN usam B5-B7, faremos um salto de B12 para B15, assumindo riscos que outros ainda não enfrentaram, e isso traz incertezas.”
Considerando que o reajuste na mistura de biodiesel deve impactar diretamente o valor do diesel na petardo, esse aumento estimado entre R$ 0,01 e R$ 0,02 por litro deve refletir nos custos do frete e nas operações logísticas.
Jéssica explica: “se um caminhão roda 10.000 km mensais, com consumo médio de 3,5 km/litro e diesel a R$ 5,89 por litro, o dispêndio mensal de combustível é de R$ 16.828,57. Com a implementação do B15, considerando o preço subindo para R$ 6,01 por litro e uma redução no rendimento de 0,2% (passando de 3,5 km/l para aproximadamente 3,493 km/l), o novo dispêndio mensal seria de R$ 17.209,43. Isso representa um aumento de R$ 380,86 mensais, equivalente a 2,3% em relação ao cenário atual com B12.”
No contexto operacional, considerando que o combustível representa aproximadamente 40% do dispêndio totalidade de uma operação de frete, esse aumento de 2,3% no combustível impacta exclusivamente 0,9% no dispêndio operacional totalidade – um valor relativamente plebeu, diz Jéssica. Entretanto, na prática, é geral que as transportadoras incluam uma margem de segurança suplementar nos preços para ocultar possíveis variações na qualidade do combustível nos postos, maior frequência na manutenção de filtros e eventuais paradas não programadas para manutenção.
Ainda segundo a diretora de Marketing e PCS do Grupo Trino, essa margem de prevenção tende a se reduzir gradualmente conforme o mercado ganha experiência com o B15 e a crédito na segurança operacional aumenta. Inicialmente, as empresas podem empregar um suplementar de 1-2% nos valores de frete porquê proteção, mas esse percentual deve diminuir depois os primeiros meses de operação, quando os dados reais de performance estiverem consolidados.

