Clima extremo deixa de ser exceção e passa a redesenhar a logística brasileira

Clima extremo deixa de ser exceção e passa a redesenhar a logística brasileira

Eventos climáticos já impactam transporte, armazenagem, custos e estratégias de provimento, levando empresas a buscar mais resiliência, tecnologia e planejamento.

Por muito tempo, eventos climáticos severos foram tratados uma vez que situações pontuais, capazes de provocar interrupções temporárias nas operações logísticas. “Durante décadas, furacões, secas severas e inundações de grande graduação eram tratados uma vez que eventos de rabo: raros o suficiente para serem absorvidos por margens de contingência e cobertos por seguros pontuais. Mas, esse protótipo não funciona mais”, pontua Mateus Botelhos, sócio-diretor na Level Trade, empresa da Level Group dedicada a operações de Global Sourcing.

A frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos aumentaram de forma mensurável nas últimas duas décadas, e o que o setor logístico experimenta agora é uma sobreposição de choques que antes seriam estatisticamente improváveis de ocorrer simultaneamente: seca no Ducto do Panamá reduzindo o silencioso disponível ao mesmo tempo em que inundações na Europa médio interrompem corredores ferroviários, por exemplo. O impacto não é mais pontual — é sistêmico.

No caso específico do Brasil, enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e impactos sobre a infraestrutura passaram a fazer segmento do cenário de planejamento das empresas, exigindo uma novidade abordagem sobre uma vez que transportar, armazenar e repartir produtos.

A logística, tradicionalmente estruturada para buscar eficiência, redução de custos e velocidade, agora precisa incorporar uma variável cada vez mais presente: a capacidade de resistir e se ajustar aos eventos extremos. Rodovias interrompidas, níveis críticos dos rios, restrições operacionais em centros de distribuição e impactos na produtividade mostram que a previsibilidade climática se tornou um elemento estratégico para a cárcere de suprimentos.

Diante desse novo contexto, empresas começam a revisar suas malhas logísticas, investir em tecnologias de monitoramento e estudo preditiva, além de buscar soluções de infraestrutura capazes de reduzir riscos e manter o nível de serviço mesmo diante de cenários adversos.

Botelhos, da Level Trade, observa que a mudança conceitual que está ocorrendo nas operações de Supply Chain mais maduras é a transmigração do clima da categoria de “risco operacional esporádico” para “variável de planejamento estrutural“. Isso significa incorporar cenários climáticos nas decisões de localização de centros de distribuição, na escolha de modais e fornecedores e nos contratos de longo prazo. Não unicamente reagir depois que o evento ocorre. Empresas de resseguros, bancos multilaterais e grandes embarcadores já trabalham com modelos de exposição climática que atribuem verosimilhança e dispêndio esperado a diferentes horizontes de tempo. O que era estudo de nicho virou padrão de due diligence.

“O travanca principal não é mais a falta de dados — é a velocidade de assimilação organizacional. As ferramentas de modelagem climática aplicadas à logística existem e estão se tornando mais acessíveis, mas a maioria das empresas ainda não integrou essas informações ao processo decisório de compras e planejamento de capacidade. O resultado é uma assimetria: quem já incorporou o risco climatológico uma vez que variável estrutural opera com vantagem de antecipação. Quem ainda trata cada evento uma vez que surpresa cofre com o dispêndio de reação, que é sistematicamente mais basta”, destaca o técnico e sócio-diretor na Level Trade.

Impactos no transporte e na distribuição

Também ao se referir aos impactos que enchentes, deslizamentos e interrupções de infraestrutura têm causado nas operações de transporte e distribuição nos últimos anos, Dener Ricardo Guerra, CEO da Combitrans, destaca que os eventos climáticos extremos afetam diretamente a eficiência das cadeias logísticas. Enchentes, deslizamentos e bloqueios de rodovias exigem mudanças rápidas de rota e reprogramação de entregas, elevando custos e prazos. Em regiões com infraestrutura mais limitada, uma vez que a Amazônia, esses efeitos tendem a ser ainda mais intensos. Uma vez que resposta, o setor tem incorporado planejamento mais aprofundado, avaliando rotas alternativas, integrando modais e monitorando sempre as condições climáticas e operacionais para reduzir riscos de interrupção.

Já, uma vez que aponta Marcelo Ostrowski, diretor Mercantil Brasil da Emergent Cold Latam, as ondas de calor criam pressão em toda a cárcere, mas os pontos críticos costumam desabrochar onde não se tem a infraestrutura adequada ou menos dimensionada para picos térmicos. “No caso de produtos sensíveis à temperatura, o impacto é ainda mais visível fora dos ambientes controlados. Etapas uma vez que fardo, descarga e transporte ficam mais críticas, porque a exposição ao calor tende a correr perdas, exigir mais facilidade operacional e, em alguns casos, requisitar o uso de transporte refrigerado que antes não era necessário. Operações que não têm protocolos rígidos para esses momentos podem rematar acumulando instabilidades térmicas ao longo do vez.”

Impactos nas hidrovias

Ao responder à pergunta se a redução dos níveis dos rios e os períodos de seca já estão alterando de forma significativa a utilização das hidrovias brasileiras, Mateus Lima, CEO da i4sea, destaca que a seca mostrou que hidrovia não é só infraestrutura: é previsibilidade hidrológica. Quando o silencioso desaparece, a fardo migra para rotas mais caras, o frete sobe e a indústria perde margem.

O caso da Amazônia deixou isso evidente. Em 2023, a ANAEscritório Pátrio de Águas e Saneamento Capital registrou o Rio Preto em Manaus, AM, a 13,51 metros em 16 de outubro, o menor nível até portanto na série histórica. A vazante continuou e o SGBServiço Geológico do Brasil depois consolidou 2023 com mínima de 12,70 metros. Em 2024, o recorde foi renovado: o SGB confirmou 12,66 metros uma vez que novidade mínima em 4 de outubro, e a prelo lugar reportou estabilização ulterior em 12,11 metros. A diferença importante é esta: 12,66 metros é o número confirmado diretamente pelo SGB; 12,11 metros aparecem em cobertura jornalística ulterior com base no monitoramento lugar.

O impacto não ficou no indicador ambiental, prossegue Lima. Em 2023, a rota de navios cargueiros para a Zona Franca de Manaus ficou mais de 50 dias afetada antes da retomada, e o CIEAMNúcleo da Indústria do Estado do Amazonas estimou R$ 1,4 bilhão em custos extras para a indústria. Isso é clima virando dispêndio logístico.

“Por isso eu evitaria expor, de forma ampla, que hidrovia é o modal que mais cresce no Brasil. A formulação correta é: a navegação interno tem potencial estratégico enorme e cresceu em alguns recortes, mas a expansão depende de previsibilidade hidrológica. Hidrovia é muito eficiente quando há chuva, silencioso e planejamento. Quando não há, o gargalo se espalha para rodovia, estoque, contrato e preço final”, completa o CEO da i4sea.

Sobre o mesmo objecto, Marcello Di Gregorio, diretor-geral do Super Terminais, também destaca que o fator climatológico deixou de ser um evento sazonal ou pontual e passou a ser uma variável permanente de planejamento para o mercado logístico vernáculo. “Episódios recentes de estiagem severa, uma vez que os registrados na Bacia Amazônica, demonstram que as secas impactam diretamente a navegabilidade, comprometendo a previsibilidade logística e o escoamento industrial de regiões que dependem majoritariamente dos rios para provimento e distribuição.” Diante desse cenário, afirma Di Gregorio, a operação hidroviária tem sido forçada a desistir respostas baseadas em improvisos ou medidas emergenciais, passando a exigir dos players uma atuação estrutural focada em cenários de estresse climatológico permanente.

Maiores riscos climáticos

O maior risco climatológico para a Supply Chain brasileira não está no Brasil em abstrato. Está no quilômetro da rodovia, no trecho ferroviário, no terminal, no recinto e no nascimento. É ali que o evento extremo vira demorado, dispêndio e ruptura. No modal rodoviário, os principais riscos são chuva extrema, aluvião, deslizamento, queda de barreira, calor extremo sobre pavimento e interrupção de corredores críticos. O Brasil ainda depende muito da rodovia; quando um trecho para, a fardo não atrasa só naquele ponto. Ela pressiona frete, estoque e janela de entrega em cárcere.”

Ainda se referindo aos maiores riscos climáticos para as cadeias de suprimentos que operam no Brasil, Lima, da i4sea, diz que no ferroviário, o risco está em erosão de talude, aluvião de trecho, queda de árvore, deformação de trilho por calor e interrupção de aproximação a terminais. “A ferrovia é eficiente, mas menos maleável: quando um trecho crítico fica indisponível, a opção nem sempre existe na mesma graduação.”

No hidroviário, o risco é duplo: seca reduz silencioso e capacidade de fardo; enxurrada e correnteza extrema também podem interromper manobra e navegação segura. A seca da Amazônia mostrou que insignificante nível de rio não é um problema lugar. Ele afeta a Zona Franca, o provimento, o dispêndio de frete e a confiabilidade de contratos.

No marítimo e no portuário, os riscos são vento, ondulação, ressaca, correnteza, chuva intensa e visibilidade. O gargalo aparece no ducto, para manobra, no nascimento, no recinto e no aproximação terrestre. Em portos, algumas horas de janela perdida podem virar fileira de navio, demurrage e preterição de graduação.

“Os dados internos da i4sea indicam que, até 2075, no cenário SSP2-4.5, calor extremo, inundação e vendaval não se distribuem de forma igual pelo território. A leitura qualitativa é que o Setentrião aparece mais exposto a ondas de calor; o Sul tem predominância de risco associado a vendavais; e Sudeste/Núcleo-Oeste combinam vento, chuva extrema e inundação em corredores logísticos”, completa Lima.

O vestuário é que o Brasil tem um perfil de risco climatológico bastante diversificado por conta do tamanho e da variedade do território. Isso significa que uma cárcere de suprimentos vernáculo raramente está exposta a um único tipo de evento. “Os principais riscos estão ligados à maior frequência e intensidade de eventos extremos, principalmente chuvas intensas, enchentes e ondas de calor”, destaca Ostrowski, da Emergent Cold Latam.

Ainda segundo ele, eventos climáticos mais extremos tornam planejamento e a gestão de estoques mais complexos, exigindo maior flexibilidade operacional, revisão de rotas e uso mais intenso de hubs logísticos para redistribuição de cargas. A resiliência da cárcere é testada de verdade quando mais de um fator opera ao mesmo tempo.

Para Di Gregorio, do Super Terminais, o principal risco para as cadeias de suprimentos no Brasil é a perda de previsibilidade operacional em um cenário de maior instabilidade climática. “Observa-se aumento na frequência e intensidade de eventos extremos, principalmente enchentes e secas prolongadas, com impacto direto sobre a navegabilidade dos rios e a ininterrupção do fluxo logístico. Fenômenos climáticos de grande graduação, uma vez que o El Niño, previsto para ocorrer neste ano, ampliam a versatilidade das chuvas e tendem a intensificar tanto episódios de estiagem quanto de enxurrada, elevando o risco de interrupções em hidrovias estratégicas, sobretudo na região Setentrião.”

Esse contexto, diz o diretor-geral do Super Terminais, reduz a confiabilidade dos modais dependentes de condições naturais e expõe a fragilidade de cadeias logísticas pouco integradas. A falta de integração multimodal adequada transforma o risco climatológico em um gargalo estrutural para a manutenção do provimento contínuo de polos industriais e centros de consumo no país.

Redesenhando a malha logística

Outro vestuário constatado é que as empresas estão redesenhando suas malhas logísticas e estratégias de provimento em função dos riscos climáticos. Mas, isto ocorre de que forma?

Guerra, da Combitrans, diz que, já que os riscos climáticos afetam diretamente a capacidade de provimento de insumos e distribuição de produtos acabados, entre as principais medidas adotadas estão a diversificação de rotas e modais, a geração de estoques avançados, a antecipação de embarques em períodos críticos e o fortalecimento de parceiros regionais. Também cresce o uso de ferramentas de lucidez logística, uma vez que monitoramento de rotas, estudo de condições climáticas e torres de controle. “O objetivo é aumentar a previsibilidade e prometer a ininterrupção do provimento, principalmente em regiões onde a logística depende da integração entre diferentes modais, uma vez que o transporte fluvial e rodoviário.”

Também para Botelhos, da Level Trade, o redesenho está acontecendo, mas de forma desigual e, em grande segmento, forçada por eventos, não por antecipação estratégica. As disrupções nos últimos anos – seca no Ducto do Panamá em 2023, inundações em regiões-chave da Ásia, eventos climáticos extremos que afetaram colheitas e infraestrutura portuária simultaneamente – aceleraram uma revisão que, em condições normais, levaria muito mais tempo para lucrar tração executiva. Multinacionais com operações mais expostas, principalmente nos setores de víveres, força e commodities industriais, estão sendo as primeiras a formalizar essa revisão em seus processos de S&OP e gestão de risco.

Ainda segundo o sócio-diretor da Level Trade, as mudanças mais concretas observadas no mercado envolvem três frentes. A primeira é a diversificação geográfica de fornecedores, com critérios climáticos sendo adicionados ao scorecard tradicional de dispêndio, qualidade e prazo – ou seja, um fornecedor localizado em zona de subida exposição a eventos climáticos passa a carregar um fator de risco explícito na decisão de sourcing. A segunda é o recalibramento de rotas e modais, com aumento do interesse por corredores alternativos e por combinações multimodais que ofereçam redundância, o que tem dispêndio, mas reduz a obediência de um único ponto de omissão climática. A terceira é o redesenho da estratégia de estoques: depois anos de lean extremo, há um movimento de revisão dos níveis de estoque de segurança para categorias críticas, justificado explicitamente pela maior frequência de disrupções.

“O que ainda está pouco avançado é a integração desse redesenho com decisões de infraestrutura de longo prazo, uma vez que localização de armazéns, contratos de capacidade portuária, acordos de suplente de modal. Essas decisões têm horizonte de 10 a 20 anos e exigem modelos de risco climatológico com essa mesma profundidade temporal, um tanto que a maioria das empresas ainda não tem operacionalizado. O gap entre a urgência do problema e a capacidade de resposta estratégica estrutural ainda é significativo”, alerta Botelhos.

A estratégia, na verdade, é a flexibilidade. O atual momento, tanto econômico, quanto social, quanto de infraestrutura no Brasil, não permite que uma empresa seja rígida na sua atuação. Mesmo que a empresa tenha seu viés estratégico voltado a processo, não a cliente, esse processo precisa se moldar a eventuais contratempos uma vez que o climatológico, uma vez que uma subida de dólar, uma subida de petróleo, um mal-estar econômico por alguma fala de governante etc.

Ainda na visão de Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, ter flexibilidade é crucial para que a empresa se mantenha competitiva. Se a empresa se tornar enrijecida, a chance de se manter em momentos de instabilidade, por eventualidades uma vez que as climáticas, é nula. 

Tecnologia

A tecnologia disponível hoje para gestão de risco climatológico em cadeias de suprimentos é substancialmente mais sofisticada do que a que a maioria das empresas efetivamente usa. Modelos de previsão meteorológica de pequeno e médio prazo já alcançam precisão operacionalmente útil em janelas de 7 a 15 dias, tempo suficiente para acionar protocolos de contingência logística. Botelhos, da Level Group, também lembra que plataformas de visibility de Supply Chain já integram alertas climáticos em tempo real com dados de posição de fardo, status de portos e disponibilidade de capacidade de transporte, permitindo que gestores antecipem gargalos antes que se tornem rupturas. Esse tipo de utensílio deixou de ser exclusividade de grandes players e está se tornando alcançável para operações de médio porte.

O papel da lucidez sintético nesse contexto é específico e merece ser descrito com precisão: não se trata de prever o clima com mais exatidão do que os modelos meteorológicos convencionais, mas de cruzar grandes volumes de dados heterogêneos, uma vez que histórico de disrupções, dados de sensores em infraestrutura sátira, padrões sazonais, comportamento de preços de frete, para identificar padrões de vulnerabilidade que não seriam detectáveis por estudo humana em tempo hábil. “Modelos de machine learning treinados com dados históricos de disrupções climáticas já conseguem, por exemplo, prezar a verosimilhança de congestionamento em determinados corredores logísticos, oferecido um conjunto específico de condições meteorológicas previstas, e recomendar ajustes preventivos de roteamento”, diz o sócio-diretor da Level Trade.

Ainda segundo ele, o limite real dessa tecnologia não é técnico, é de dados e de integração. A qualidade dos modelos preditivos depende da qualidade e da granularidade dos dados alimentados, e muitas empresas ainda operam com visibilidade fragmentada de sua cárcere: dados de fornecedores de nível 2 e 3 são frequentemente opacos, o que cria pontos cegos justamente nos elos mais vulneráveis. A adoção da estudo preditiva climática uma vez que utensílio operacional regular, e não uma vez que tirocínio de consultoria pontual, requer investimento em integração de dados que precede o investimento nos algoritmos em si.

Também falando sobre o papel da tecnologia, da lucidez sintético e da estudo preditiva na antecipação de eventos climáticos e na mitigação de impactos operacionais, Lima, da i4sea, adverte que o papel da tecnologia cá não é “prever melhor o tempo”. É transformar previsão em decisão antes do evento. E isso depende de três camadas.

Primeira: solução. Um aviso de “ventos fortes para o estado de Santa Catarina” não move uma operação logística. O que move é saber qual ativo, qual trecho de rodovia, qual nascimento será atingido, com que intensidade e em que janela de horas. A estudo preditiva moderna saiu da graduação estadual para a graduação do ativo.

Segunda: antecedência útil. Não basta assestar – tem que avisar com o prazo que cabe na decisão. Redirecionar fardo, contratar frete antes do pico de preço ou reorganizar uma malha exige dias, não minutos. Antecipação de 24, 48, 72 horas – e, para suprimento, de 7 a 10 dias – é o que separa gestão de prejuízo.

Terceira: integração ao protocolo. Cá está o ponto que o mercado ainda subestima: o alerta só vira valor quando entra no projecto de contingência da empresa e dispara uma ação pré-definida. Lucidez sintético cruzando múltiplas variáveis climáticas com o oferecido do negócio é o que permite isso em graduação – mas tecnologia que gera alerta e não muda decisão é dispêndio, não solução.

“E vale o anti-sensacionalismo: IA em clima não é esfera de cristal. É trabalhar com verosimilhança e incerteza de forma estruturada, no nível em que a operação sente o impacto”, completa Lima.

Da esquerda para a direita: Mateus Lima, da I4sea; Mateus Botelhos, da Level Trade; e Marcelo Zeferino, da Prestex Logística Emergencial

Investimentos em infraestrutura

Sobre os investimentos em infraestrutura e resiliência logística que têm se mostrado mais eficazes para enfrentar eventos extremos, Guerra, da Combitrans, aponta que os mais eficazes combinam infraestrutura física, tecnologia e planejamento operacional. Estruturas de armazenagem, hubs logísticos, áreas de transbordo e ativos adaptados às características regionais ajudam a manter a operação mesmo em cenários adversos.

No transporte fluvial, embarcações adequadas a diferentes níveis de rio aumentam a ininterrupção do serviço; no rodoviário, rotas alternativas e redes de base reduzem impactos de bloqueios. Ou por outra, sistemas de monitoramento em tempo real, protocolos de contingência e maior visibilidade da cárcere têm se mostrado fundamentais para antecipar riscos e correr a tomada de decisão.

“Os investimentos mais eficazes combinam ciência, tecnologia e infraestrutura moderna voltada à transição energética e previsibilidade. No mercado universal, destacam-se: o uso intenso de lucidez operacional e o monitoramento hidrológico preditivo quotidiano; o investimento em equipamentos de subida eficiência e matrizes energéticas limpas (uma vez que eletrificação de frotas e usinas a gás proveniente) para prometer segurança energética e descarbonização; e o base à pesquisa científica regional para prever o comportamento climatológico. No contexto público e coletivo, investimentos contínuos em programas permanentes de dragagem de manutenção, modernização da sinalização navegação e o progresso em segurança regulatória para concessões hidroviárias são apontados uma vez que as soluções estruturais mais urgentes”

Ou por outra – continua expondo Di Gregorio, do Super Terminais –, a eficiência desses aportes depende de uma visão de integração multimodal. “Um exemplo observado recentemente no cenário vernáculo é o debate em torno de projetos rodoviários na Amazônia, uma vez que a BR-319, que evidencia a influência de determinar a complementaridade entre modais e os limites de soluções terrestres isoladas diante de uma região onde as hidrovias seguem desempenhando papel médio no escoamento e provimento de grandes polos econômicos.”

Nesse contexto, investir em um único eixo logístico uma vez que promessa de melhorias operacionais na região só fará aumentar a vulnerabilidade do sistema diante de eventos climáticos extremos, variações hidrológicas e gargalos de manutenção, tornando a integração entre modais um elemento ainda mais importante de resiliência, alerta diretor-geral do Super Terminais.
Já Ostrowski, da Emergent Cold Latam, destaca que alguns investimentos vêm ganhando espaço porque ajudam a reduzir a exposição e aumentar a capacidade de resposta. Um deles é a diversificação de infraestrutura, com redes logísticas mais muito distribuídas. Ter múltiplos pontos de armazenagem e alternativas de rota permite reagir mais rápido a bloqueios ou interrupções.

Outro progresso relevante está no uso de tecnologia para monitoramento em tempo real, tanto de condições climáticas quanto de integridade de cargas. Isso permite antecipar riscos e ajustar operações antes que o problema se agrave.

A gestão de estoques também mudou. Empresas têm reforçado buffers estratégicos, principalmente para produtos sensíveis, usando armazenagem com controle térmico uma vez que forma de proteger a qualidade e prometer ininterrupção de provimento. Ou por outra, há maior atenção à adaptação física das estruturas, com projetos preparados para eventos climáticos mais intensos, uma vez que drenagem reforçada, elevação de áreas críticas e sistemas de força mais resilientes. “Vale lembrar que a resiliência passa por ter alternativas mapeadas com antecedência, não por improvisar na hora do problema. Trabalhar com operadores logísticos representa uma vantagem competitiva, pois os clientes podem focar nos seus negócios e deixar os investimentos em infraestrutura logística com o fornecedor”, completa o diretor Mercantil Brasil da Emergent Cold Latam.

Da esquerda para a direita: Marcello Di Gregorio, da Super Terminais; Marcelo Ostrowski, da Emergent Cold Latam

Custos logísticos

Também é interessante saber uma vez que os eventos climáticos afetam custos logísticos, prazos de entrega e níveis de serviço ao cliente.

Segundo o CEO da Combitrans, os impactos costumam ocorrer em cárcere. Primeiro surgem os atrasos, afetando os prazos. Em seguida, aumentam os custos com combustível, armazenagem, contratação emergencial de capacidade e uso de rotas mais longas. Isso acaba afetando diretamente o nível de serviço, porque o cliente final nem sempre enxerga a dificuldade da cárcere, somente o demorado, ruptura, falta de previsibilidade ou aumento de dispêndio.

“Por isso, a transparência passou a ser uma segmento importante da gestão logística em períodos extremos. Informar o cliente com antecedência, apresentar cenários e combinar planos de contingência reduz ruídos e melhora a tomada de decisão”, recomenda Guerra.

Também na ótica do diretor-geral do Super Terminais, os eventos climáticos extremos geram um efeito cascata na cárcere de suprimentos. Quando a navegabilidade de uma hidrovia é comprometida pela seca, por exemplo, há uma interrupção na fluidez do transporte, o que impacta diretamente o cumprimento dos prazos de entrega e reduz o nível de serviço final ao cliente. “Para tentar mitigar a paralisia do fluxo, o mercado muitas vezes recorre a rotas alternativas ou soluções emergenciais fragmentadas que elevam significativamente os custos logísticos operacionais. Sem previsibilidade e lucidez territorial, o isolamento logístico temporário de regiões industriais prejudica a competitividade sistêmica do mercado”, explica Di Gregorio.

“O impacto dos eventos climáticos sobre custos logísticos opera em camadas temporais distintas que precisam ser analisadas separadamente”, também comenta o sócio-diretor na Level Trade. No pequeno prazo, eventos agudos uma vez que ciclones, inundações e nevascas severas geram picos de demanda por capacidade opção de transporte que elevam fretes spot de forma abrupta e não linear: quando múltiplos embarcadores buscam as mesmas alternativas simultaneamente, o dispêndio de meandro sobe muito supra do dispêndio médio de rota, e quem chega tarde ao mercado paga prêmio.

No médio prazo, eventos que degradam infraestrutura, uma vez que erosão de vias, assoreamento de hidrovias ou danos a instalações portuárias elevam os custos operacionais de forma persistente, mesmo depois o evento em si ter pretérito. E, no longo prazo, o aumento da frequência de eventos extremos já está sendo incorporado pelos seguros de fardo e pelos modelos de precificação de frete contratual, criando uma pressão estrutural de dispêndio que não se resolve com normalização do clima no pequeno prazo.

Nos prazos de entrega, o efeito mais crítico não é o demorado súbito causado pelo evento em si, mas o congestionamento sistêmico que se forma nos nós logísticos adjacentes. Quando um porto fecha por 48 horas por condições climáticas, o backlog de fardo que se acumula leva dias ou semanas para ser absorvido, e esse demorado em cascata afeta toda a cárcere downstream de forma desproporcional ao evento original. Empresas com estratégias de just-in-time mais rígidas são desproporcionalmente expostas a esse efeito, porque não têm buffer de estoque para chupar a variação de prazo sem impacto nas linhas de produção ou nos compromissos com clientes.

Do ponto de vista do nível de serviço ao cliente, o problema é que eventos climáticos frequentes tornam menos confiáveis os SLAs baseados em janelas de entrega fixas, e isso tem consequências contratuais e reputacionais que vão além do dispêndio logístico direto. O mercado ainda não convergiu para um protótipo consensual de uma vez que tratar cláusulas de força maior climática em contratos logísticos, o que cria assimetria de risco entre embarcadores e operadores. “Setores com maior sensibilidade ao prazo, uma vez que o farmacêutico, perecíveis, eletrônicos de basta giro, já começam a redesenhar seus SLAs para incluir variáveis climáticas explícitas, mas essa ainda é uma prática minoritária”, conclui Botelhos.

A verdade é que, uma vez que destaca Zeferino, da Prestex, já há alguns anos vivemos um cenário muito instável no Brasil. Quando não são eventos climáticos, são eventos econômicos, que acabam afetando muito os custos e os prazos de entrega.

“Uma vez que já mencionado anteriormente, a flexibilidade é fundamental, mas eventualmente e, de tratado com a demanda que aumenta em situações uma vez que essa, o dispêndio acaba se elevando também. O grande problema disso é o consumidor final, que invariavelmente acaba sendo afetado, porque isso impacta no preço final de venda que é ressaltado.”

Logística do porvir

Finalizando esta material peculiar, fica uma questão: uma vez que será a logística brasileira nos próximos anos diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos?

Lima, da i4sea, acredita que oriente porvir vai ser definido por quem conseguir antecipar gargalos antes que eles virem fileira, ruptura e dispêndio. E isso vale tanto para tempestade quanto para seca.

“Em 2023, o Brasil teve um retrato evidente desse porvir: no Sul, o ducto de aproximação ao multíplice Itajaí/Navegantes ficou fechado por 18 dias por fortes chuvas e correnteza; no Setentrião, a seca histórica levou o Rio Preto à mínima recorde e restringiu por mais de 50 dias a navegação de cargueiros para Manaus e a Zona Franca. Não é um problema só de porto ou de hidrovia: é risco climatológico virando gargalo logístico vernáculo.”

A mudança principal – ainda segundo o CEO da i4sea – é que planejamento logístico não pode mais trabalhar unicamente com média histórica. Para tempestades, vendavais e chuva extrema, a decisão costuma suceder em janelas de horas a dias. Para a seca, o padrão hidrológico pode ser escoltado com semanas e, em alguns casos, até muro de 90 dias de antecedência. Isso não significa previsão perfeita. Significa transpor da surpresa e entrar em gestão de verosimilhança.

“Na prática, o porvir da logística será mais intermodal, mas também mais exposto. Quando a hidrovia perde silencioso, a rodovia recebe fardo. Quando o porto interrompe manobra, a ferrovia e o recinto acumulam. Quando um galeria rodoviário alaga, o contrato mercantil sente. A cárcere inteira paga quando uma segmento para. A logística que vence não é a de maior infraestrutura, é a que antecipa melhor.”

Ostrowski, da Emergent Cold Latam, a tendência é de uma logística mais planejada para mourejar com instabilidade. Isso passa por operações menos dependentes de um único modal ou rota, maior uso de dados para tomada de decisão e revisão jacente de planos de contingência. A gestão de risco deve lucrar protagonismo. “Em vez de reagir a eventos, as empresas tendem a operar com cenários alternativos já mapeados, com rotas secundárias, estoques posicionados de forma estratégica e contratos mais flexíveis.”

A cárcere fria também deve lucrar mais espaço nesse contexto, não só para produtos tradicionalmente refrigerados – prossegue o diretor Mercantil Brasil da Emergent Cold Latam. Temperaturas mais altas ampliam a premência de controle térmico ao longo da cárcere, o que muda a lógica de armazenagem e transporte de algumas categorias. O mercado tende a responder com mais investimento em automação, monitoramento e digitalização da cárcere. Sensores de temperatura em tempo real, gestão preditiva de manutenção de equipamentos e visibilidade de ponta a ponta já deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisito de parceiros comerciais internacionais, principalmente em categorias de víveres com protocolos sanitários rígidos.

“No universal, a logística no Brasil tende a permanecer mais robusta, mas também mais complexa e intensiva em planejamento. Quem conseguir antecipar risco e ajustar operação rapidamente sai na frente. Quem não tiver essa capacidade instalada vai encontrar dificuldade crescente para operar em mercados mais exigentes”, completa Ostrowski.

Concluindo esta material peculiar do Portal Logweb, Zeferino, da Prestex, deixa transparecer que é difícil precisar o porvir da logística brasileira diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos. “Não vemos movimentações estratégicas para que se previna esse tipo de situação. Ao contrário, a meu ver, ainda se vive uma estagnação nesse paisagem e é a iniciativa privada que acaba muitas vezes trabalhando em prol disso, tendo flexibilidade, planos de contingência para eventuais situações, mas é muito difícil precisar uma vez que vai ser. Até porque os eventos climáticos estão cada vez mais frequentes, portanto é muito difícil que se crave uma vez que será. O que se pode ter é, obviamente, trabalhar em cima de contingência e do histórico para poder se prevenir.”

Participantes desta material

Combitrans – Operadora Logística brasileira que integra transporte fluvial e rodoviário, armazenagem e projetos personalizados, conectando a Região Setentrião ao restante do país. É á única a operar balsas SW (Swimming Warehouse) – armazéns flutuantes projetados para otimizar a capacidade e tornar o frete fluvial mais competitivo. Conta com portos próprios em Manaus (AM) e Belém (PA), sede administrativa em Orlândia (SP) e escritórios em São Paulo (SP), Barueri (SP) e Fortaleza (CE), atendendo fluxos com origem ou rumo em todo o Brasil.

i4sea – Empresa de tecnologia especializada em lucidez climática de subida precisão para setores com operações complexas e expostas ao clima, uma vez que portos, força, engenharia e grandes infraestruturas. Transforma dados meteorológicos e oceanográficos em alertas de risco acionáveis ao nível do ativo (vegetal por vegetal ou galpão por galpão). Por meio de sua plataforma proprietária, o i4cast®, cruza lucidez sintético, dados específicos do negócio do cliente e mais de 10 anos de reanálise climática, permitindo que tomadores de decisão antecipem riscos com dias de antecedência para redirecionar cargas, proteger ativos, salvar margens de lucro e prometer a resiliência operacional frente a eventos climáticos extremos.

Super Terminais – Um dos principais hubs logísticos da região Setentrião, com atuação estratégica no modal portuário. Sua missão é impulsionar exportações e importações com qualidade, agregando valor aos clientes e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Amazonas e do Brasil. Operando há 30 anos em Manaus, é reconhecido uma vez que o primeiro porto virente do Brasil e trabalha com cargas conteinerizadas, cargas de projetos e soltas, nacionais ou de importação.

Level Group – Empresa global com mais de 18 anos de atuação, especializada em transformar compras e Supply Chain em áreas de subida performance por meio da integração entre consultoria estratégica, BPO e tecnologia avançada. Com presença no Brasil, Estados Unidos, América Latina, China e Índia, apoia empresas de médio e grande porte em projetos de eficiência, governança e transformação operacional. Seu portfólio inclui soluções em strategic sourcing, gestão de fornecedores, contratos, compliance, automação, analytics e lucidez sintético.

Emergent Cold LatAm – Considerada a maior empresa de soluções logísticas com temperatura controlada para víveres da América Latina. Está construindo uma rede de cárcere fria de subida qualidade para oferecer soluções logísticas completas, com temperatura controlada, em toda a região. São mais de 100 armazéns de víveres em 11 países da América Latina. Também estão em realização projetos de construção ou ampliação em diferentes países.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *