A São Martinho anunciou, em parceria com a Rumo, a Necta e a Transvale, o lançamento do projeto Rota Verdejante, operação de transporte multimodal voltada ao escoamento de açúcar com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa. A iniciativa integra transporte rodoviário movido a gás procedente e biometano com o modal ferroviário, conectando a Unidade Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), ao Porto de Santos.
Segundo as empresas envolvidas, o projeto prevê redução de até 87% nas emissões de gases de efeito estufa em verificação aos veículos movidos a diesel, conforme estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) realizado pelo Instituto Brasílio de Informação em Ciência e Tecnologia.
A operação utilizará inicialmente caminhões abastecidos com gás procedente, avançando gradualmente para o uso integral de biometano em toda a frota dedicada ao transporte de açúcar da unidade. Os veículos serão equipados com tecnologia Scania G460 Gás e operarão em integração com a malha ferroviária da Rumo a partir do terminal de transbordo localizado em Itirapina (SP).
O projeto reforça uma tendência crescente no setor logístico de integração entre modais rodoviário e ferroviário para lucro de eficiência operacional e redução de impactos ambientais. No caso do açúcar, a utilização da ferrovia no trecho de longa intervalo até o Porto de Santos contribui para redução do consumo de combustível fóssil, além de ampliar a capacidade de transporte em corredores de exportação.
Outro diferencial da operação é a utilização do excedente produzido pela vegetal de biometano da própria São Martinho, instalada em Américo Brasiliense. A unidade entrou em operação em agosto de 2025 posteriormente receber investimentos de R$ 250 milhões.
“A Rota Verdejante marca um progresso significativo na integração entre eficiência logística e responsabilidade ambiental. Com essa iniciativa, conectamos inovação e sustentabilidade, reduzindo emissões e aproveitando recursos renováveis uma vez que o biometano”, afirma Helder Gosling, diretor Mercantil e de Logística da São Martinho.
A expectativa é que a operação transporte aproximadamente 350 milénio toneladas de açúcar por ano. Além da redução das emissões, o projeto procura exaltar a eficiência logística e reduzir custos operacionais. Segundo as empresas, a iniciativa poderá aumentar em até 20% o índice de produtividade da operação da São Martinho, reduzindo o tempo médio de transporte.
De conformidade com José Eduardo Moreira, CEO da Necta, o projeto demonstra a viabilidade operacional do biometano no transporte pesado. “A parceria mostra que é verosímil coligar sustentabilidade à economia operacional, comprovando que o biometano é competitivo em relação ao diesel”, afirma.
A operação será conduzida pela Transvale, responsável pela disponibilização dos veículos e motoristas em regime contínuo de operação, durante 24 horas por dia, 26 dias por mês, ao longo de dez meses por ano até março de 2030.
Segundo Ivo Ilário Riedi Rebento, CEO da Transvale, o investimento inicial da transportadora será de aproximadamente R$ 15 milhões. A estrutura contará com 10 conjuntos rodotrem caçamba de 47 toneladas.
Para Altamir Perottoni Junior, vice-presidente Mercantil da Rumo, o projeto reforça a complementaridade entre os modais ferroviário e rodoviário sustentável. “A iniciativa é fundamental por unir diferentes elos da cárcere em um projeto que contribui para a descarbonização, reforçando a relevância da complementariedade entre o modal ferroviário, que por origem já tem menor pegada de carbono, e o modal rodoviário sustentável, que promove a substituição do diesel pelo biometano”, destaca.
A São Martinho atua na produção de açúcar, etanol e bioenergia, com capacidade aproximada de moedura de 27 milhões de toneladas por safra. A companhia possui operação logística integrada, incluindo estrutura de armazenagem e terminal próprio de transbordo rodoferroviário de açúcar com aproximação ferroviário restrito.
