A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) apresentou à Dependência Pátrio de Transportes Aquaviários (Antaq) um estudo inédito que aponta o protagonismo dos terminais autorizados na movimentação portuária brasileira em 2025. De concórdia com o levantamento, esses empreendimentos já respondem por 64,6% de toda a trouxa movimentada no país.
Os Terminais de Uso Privado (TUP) registraram desenvolvimento de 7% em 2025, alcançando 906,1 milhões de toneladas. Aliás, no transporte por vias interiores, 78,8% da movimentação em rios é realizada por terminais autorizados, reforçando a presença desse padrão na logística pátrio.
Estudo histórica
A estudo histórica também evidencia a consolidação do padrão ao longo dos últimos 15 anos. Entre 2010 e 2025, a movimentação em águas interiores cresceu 210%. Atualmente, murado de dois terços dos terminais privados são autorizados para operar por via marítima, enquanto aproximadamente um terço atua em águas interiores.
Em volume inteiro, os terminais autorizados em vias interiores movimentaram 72 milhões de toneladas, frente a 19,3 milhões registradas pelos portos organizados no mesmo período. Dessa forma, o estudo indica progressão consistente da participação privada no sistema portuário.
O impacto econômico regional também é evidenciado. Em Aracruz (ES), por exemplo, posteriormente a implantação da Portocel, o PIB per capita saltou de murado de R$ 1 milénio para mais de R$ 15 milénio. Em Santa Catarina, a instalação da Portonave elevou Navegantes da 23ª para a 15ª posição no ranking estadual de PIB. Já o Porto Itapoá gerou impacto superior a R$ 16 bilhões no PIB regional.
Atualmente, o Brasil possui 287 terminais autorizados, dos quais 221 estão em operação. Entretanto, o estudo aponta gargalos que ainda afetam o setor, sobretudo atrasos em processos de licenciamento ambiental. Entre as causas estão judicializações, morosidade administrativa — inclusive junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) —, invasões de áreas e os efeitos da pandemia de Covid-19.
Segundo o presidente da ATP, Murillo Barbosa, “os terminais autorizados são hoje pilares da logística brasileira. Além de ampliarem a capacidade operacional, eles geram desenvolvimento sítio, atraem investimentos e aumentam a competitividade do Brasil. Superar gargalos regulatórios e de licenciamento é principal para que o setor continue crescendo e entregando benefícios econômicos e sociais”.
Em relação ao perfil das cargas, o desenvolvimento de 7% em 2025 foi impulsionado principalmente pelo granel sólido, que atingiu 538,1 milhões de toneladas (subida de 7,19%), seguido por granel líquido e gasoso, com 271,7 milhões de toneladas (7,87%), e trouxa conteinerizada, com 56,9 milhões de toneladas (6,09%).
Entre as mercadorias com maiores avanços no ano pretérito estão cimento (50,80%), coque de petróleo (42,38%), adubos (25,86%), soja (18,33%) e óleo de soja (17,95%). No ranking dos terminais com maior desenvolvimento em 2025 destacam-se o TUP Vetorial Logística (MS), com expansão de 380,2%; a ATEM (Belém-PA), com 332,1%; e o Terminal da Granel Química Ladário (MS), com aumento de 274%.
