Os investimentos em infraestrutura logística e transportes no Brasil chegaram a 0,71% do Resultado Interno Bruto (PIB) entre 2023 e 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Transportes. O progresso ocorre em meio à ampliação das concessões rodoviárias e ferroviárias, geração de novos corredores logísticos e retomada de projetos de integração pátrio, em um movimento impulsionado principalmente pela iniciativa privada.
Dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) mostram que 2025 registrou recorde de investimentos em infraestrutura pelo segundo ano continuado, com R$ 280 bilhões aplicados no setor. Desse totalidade, 84% foram provenientes de aportes privados.
Apesar do incremento, entidades do setor de avaliam que os investimentos ainda estão aquém das necessidades estruturais do país. Estudo elaborado pelo Sindicato Pátrio da Indústria da Construção Pesada (SINICON), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), aponta que o Brasil investiu unicamente 2,22% do PIB em infraestrutura em 2024, percentual subordinado à própria desfavor anual dos ativos, estimada em 2,27%.
Segundo o levantamento, o país precisaria investir mais de 4% do PIB ao ano durante pelo menos duas décadas para perceber a média global de estoque de infraestrutura.
Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), o cenário recente representa um progresso positivo, principalmente diante da retomada das concessões e da ampliação da participação privada. Ainda assim, a entidade alerta para a premência de ampliar os investimentos públicos e fortalecer o planejamento de longo prazo.
“Os investimentos em infraestrutura têm impacto direto na eficiência logística do Brasil. Quando melhoramos rodovias, ferrovias, portos e a integração entre os modais, reduzimos custos, aumentamos a previsibilidade das operações e elevamos a competitividade do país. O grande duelo é prometer investimentos contínuos, planejamento de longo prazo e integração entre o setor público e privado para que os resultados sejam realmente estruturais”, afirma Oswaldo Caixeta, presidente da ABTLP.
Infraestrutura precária amplia riscos operacionais
Os impactos das limitações estruturais continuam afetando diretamente o transporte de cargas no país. Segundo a Confederação Pátrio dos Transportes (CNT), muro de 40% das rodovias brasileiras apresentam quesito regular, enquanto 19,1% estão classificadas porquê ruins ou péssimas.
Esse cenário, de convénio com a CNT, gera prejuízos de R$ 7,21 bilhões aos transportadores, devido ao aumento dos custos operacionais, desgaste da frota e perda de eficiência logística.
Além das obras e concessões, a ABTLP defende avanços em planejamento, fiscalização, modernização regulatória e qualificação profissional. “É fundamental continuar em planejamento, fiscalização, qualificação profissional e modernização regulatória. A logística brasileira precisa ser tratada de forma integrada, envolvendo tecnologia, gestão de risco e maior coordenação entre os órgãos públicos e a iniciativa privada”, explica Caixeta.
O dirigente ressalta ainda que os investimentos em tecnologia e renovação de frota precisam ser acompanhados por melhorias efetivas na malha viária brasileira. “O setor investe incessantemente em tecnologia, segurança e modernização da frota. No entanto, muitas vezes, esses veículos acabam circulando em rodovias com baixa qualidade de conservação e infraestrutura inadequada, o que aumenta riscos, desgaste operacional e compromete segmento da eficiência que a própria tecnologia procura prometer”, pontua.
Maio Amarelo amplia debate sobre segurança operacional
Em paralelo ao debate sobre infraestrutura, o movimento Maio Amarelo reforça neste ano a relevância da prevenção no transporte rodoviário de cargas, principalmente no segmento de produtos perigosos.
Para a ABTLP, a segurança operacional vai além da meio segura do veículo e envolve gestão de risco, monitoramento contínuo, manutenção preventiva, capacitação profissional e cumprimento rigoroso das normas técnicas.
Segundo Eduardo Leal, secretário executivo da entidade, a segurança deve ser tratada porquê elemento meão da operação logística. “A segurança não pode ser vista unicamente porquê uma exigência regulatória, mas porquê uma quesito indispensável para que a operação aconteça. Sem procedimentos técnicos adequados, equipamentos específicos, capacitação contínua e rígido controle operacional, o transporte fica exposto a riscos que podem comprometer vidas, o meio envolvente, o patrimônio e a própria ininterrupção da operação”, afirma.
O dirigente destaca que campanhas educativas contribuem para fortalecer a cultura de prevenção e conscientização no setor. “Campanhas educativas reforçam a relevância da prevenção, da responsabilidade compartilhada e do cumprimento das normas de segurança. Isso está diretamente ligado às necessidades do transporte de produtos perigosos, onde qualquer falta operacional pode gerar impactos significativos”, explica Leal.
Entre os principais fatores apontados pela entidade para reduzir acidentes estão a capacitação permanente dos motoristas, correta sinalização das cargas, estudo prévia das rotas, gestão de risco e monitoramento estável das operações.
“As pessoas passam a refletir mais sobre as consequências que determinadas condutas imprudentes podem gerar, tanto para si quanto para os demais usuários das vias. Esse processo de conscientização é forçoso para fortalecer uma cultura de prevenção no transporte”, pontua o secretário executivo.
Durante o Maio Amarelo, a ABTLP vem promovendo ações de conscientização voltadas ao setor, incluindo conteúdos técnicos, palestras e debates sobre prevenção de acidentes e segurança operacional no transporte rodoviário de cargas.
