A discussão sobre renovação de frota voltou ao núcleo do setor de transporte com a ampliação das linhas de financiamento para compra de veículos comerciais no Brasil. A novidade lanço do programa Move Brasil prevê R$ 21,2 bilhões destinados à compra de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários por meio da risca BNDES Renovação de Frota.
Embora o programa seja visto porquê uma oportunidade para modernização operacional, especialistas alertam que o aproximação ao crédito exige estudo cuidadosa das condições financeiras das transportadoras, principalmente em um cenário marcado por margens apertadas, custos elevados e baixa previsibilidade de caixa.

Segundo Giulia Arndt, técnico do Maffioletti & Arndt Advogados, escritório com atuação voltada às áreas empresarial e contratual, a decisão de renovar veículos não pode ser tratada exclusivamente porquê uma medida operacional ou porquê simples aproveitamento de crédito disponível no mercado.
Para ela, antes de assumir novos financiamentos, as empresas precisam determinar se a operação possui capacidade real para sugar mais uma obrigação financeira considerando fatores porquê contratos, capital de giro, prazos de recebimento e remuneração do frete.
“Renovar frota é importante, mas crédito não substitui gestão financeira. Se a transportadora compra um caminhão novo, mas continua recebendo tarde, praticando frete defasado e absorvendo o dispêndio financeiro do cliente, a modernização pode deixar de ser solução e passar a pressionar ainda mais o caixa”, afirma.
No transporte rodoviário de cargas, grande segmento dos custos ocorre de forma imediata ou em pequeno prazo. Combustível, pedágio, manutenção, pneus, seguros, tributos e folha de pagamento precisam ser quitados antes mesmo do recebimento integral do frete.
Nesse contexto, quando embarcadores ampliam os prazos de pagamento, as transportadoras acabam financiando segmento da operação dos próprios clientes. Com taxas de juros ainda elevadas, o prazo mercantil passa a simbolizar também um dispêndio financeiro relevante para as empresas do setor.
Renovação de frota exige estudo de contratos, margem e capital de giro
De convénio com Giulia, antes de aderir a qualquer modalidade de crédito para caminhões, é fundamental revisar indicadores relacionados à rentabilidade e sustentabilidade operacional.
Entre os principais pontos citados pela técnico estão a margem real por rota, a remuneração efetiva do frete, o impacto do prazo de recebimento na formação do preço, o dispêndio financeiro do capital de giro e a existência de contratos suficientes para sustentar novas parcelas de financiamento.
Aliás, ela destaca a valimento de determinar se os contratos possuem mecanismos de reajuste diante de oscilações de custos porquê diesel, pedágio, juros e mão de obra.
Segundo a técnico, sem esse tipo de estudo, o financiamento pode parecer vantajoso inicialmente, mas se tornar um fator de pressão financeira ao longo da operação. “A pergunta correta não é exclusivamente se a empresa consegue assinar o financiamento. É se ela consegue remunerar esse financiamento dentro da veras dos contratos que possui, dos prazos que concede e da margem que efetivamente retém”, complementa Giulia.
A avaliação sobre a renovação da frota, portanto, precisa envolver fatores operacionais, financeiros e contratuais de forma integrada.
Embora caminhões novos possam reduzir despesas com manutenção, melhorar consumo de combustível, ampliar disponibilidade operacional e atender exigências ambientais e contratuais, esses ganhos dependem de revisão de preços, recomposição de fretes e controle efetivo de margem e capital de giro.