Tempo médio de descarga chega a 5h09 e pressiona custos do frete, aponta SETCESP

Tempo médio de descarga chega a 5h09 e pressiona custos do frete, aponta SETCESP

O Tempo Médio de Descarga (TMD) nos principais pontos recebedores da cidade de São Paulo e da região metropolitana atingiu 5h09 em 2025, o maior patamar registrado nos últimos dez anos. O oferecido faz segmento de pesquisa do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transporte de Fardo de São Paulo e Região), elaborada pelo IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Fardo), e evidencia um cenário que compromete diretamente a eficiência do transporte rodoviário de cargas e pressiona os custos do frete.

Na prática, a espera prolongada deixou de ser um incidente pontual. Em verificação com 2024, o tempo médio aumentou em quase uma hora, provocando uma elevação de 26% nos custos do transportador. Antes disso, o maior tempo escolhido havia sido de 4h27, em 2016. Com o caminhão parado, os custos de imobilização crescem continuamente, reduzindo o número de viagens diárias, encarecendo a operação e afetando o cumprimento de prazos de entrega.

Imagem gerada por IA/ChatGPT

Segundo a economista e coordenadora de projetos do IPTC, Raquel Serini, o aumento do TMD está relacionado, principalmente, ao descompasso entre a capacidade instalada dos pontos recebedores e o volume crescente de entregas, mormente no varejo. A pesquisa mostra que unicamente 13% dos estabelecimentos possuem vagas destinadas à trouxa e descarga, enquanto 87% priorizam vagas para clientes, o que amplia filas e tempos de espera.

O presidente do Juízo Superior e de Gestão do SETCESP, Marcelo Rodrigues, destaca que a vagar no descarregamento amplia o chamado “dispêndio Brasil” e impõe condições adversas aos profissionais do setor. “Muitos trabalhadores ficam horas aguardando em locais sem saneamento obrigatório e sem opções adequadas para sustento”, afirma. Ele acrescenta que diversos recebedores não oferecem infraestrutura mínima, uma vez que banheiros e refeitórios.

A pesquisa que embasa o cômputo do TMD é realizada anualmente há mais de 20 anos, a partir de levantamento solicitado pela Diretoria de Fornecimento e Distribuição do SETCESP ao IPTC. Em 2025, a coleta ocorreu entre junho e novembro, com a participação de 175 estabelecimentos recebedores, avaliados quanto ao número de docas, vagas disponíveis e procedimentos operacionais.

Tempo médio de descarga e Índice de Eficiência no Recebimento

Além do TMD, o estudo considera a infraestrutura dos pontos recebedores e calcula o IER (Índice de Eficiência no Recebimento). De pacto com Serini, a combinação entre atrasos e condições estruturais permite identificar gargalos uma vez que docas insuficientes, falta de vagas, janelas de agendamento mal definidas e burocracia excessiva, fatores que elevam custos e reduzem a produtividade.

Os dados setoriais indicam que atacadistas apresentam TMD de 5h56, enquanto home centers registram 4h33. O pior desempenho ocorre nos Centros de Distribuição, onde a espera chega a 11h40, apesar de geralmente contarem com melhor infraestrutura. Já os supermercados apresentam o menor tempo médio, de 3h05, porém figuram entre os piores em condições estruturais.

Por outro lado, o levantamento também destaca boas práticas. Em 2025, a rede Supermercados Joanin obteve o melhor IER, com TMD de 2h, enquanto o Emporium São Paulo foi o estabelecimento com maior evolução no ranking. Para mais informações sobre o IER, o SETCESP disponibiliza atendimento pelos canais: WhatsApp (11) 2632-1000 ou e-mail [email protected].

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